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[Ensaio] : Tristeza, Solidão e Covardia
dezembro 4, 2009 | Tagged contos, ensaio, Literatura | 1 Comentário
Naquele dia cinza, olhou pela janela à procura de um arco-íris. Só viu a fina e gélida garoa que caía por cima dos prédios de cimento. A chuva escorria, como se fossem tímidas lágrimas do céu.
Suspirou.
O seu maior problema, que consumia sua alma e sua consciência, era ser uma pessoa comum demais. Sua vida era um emornecer dentro da panela, como se vivesse à banho-maria. Nada era muito quente e nem muito frio, tudo não tinha graça, tudo era morno demais. E tudo era sempre igual, igual.
Não haviam grandes novidades e nem grandes emoções. A bola de ferro que pesava mil e uma toneladas amarrava-se ao seus pés e se chamava desânimo. Vivia em uma prisão dentro do seu quarto, vazio, escuro. Onde a única coisa viva era a si mesmo, mas isso não tinha mais encanto. O melhor seria deixar de existir.
Aquele vazio que sentia no peito, era como o esquecimento, mas o seu verdadeiro nome era egocentrismo. Sua secreta vontade era a de gritar e ver se todo mundo ouviria, quem sabe teria um pouco de atenção. Seu pior defeito era querer atenção, ser alguém especial! Quem sabe ter importância para alguém.
Haviam pessoas em sua vida que lhe tinham muito amor. Mas aquele amor já era sem significado e não tinha pra que continuar existindo. As vezes era como se o Sol fosse surgir e que haveriam esperanças, que tudo poderia mudar e ser feliz.
Não lembrava qual fora a última vez que se sentiu feliz o suficiente para que as emoções tivessem algum significado. Não era depressão, era descontentamento. As coisas podiam ser diferentes, não podiam?
Quem sabe, se livrar daquele peso, daquele cansaço que consumia seu coração e agoniava seus dias. Quem sabe, arriscaria sair de sua prisão. Quem sabe, sairia e faria todas aquelas coisas que queria fazer. Mas não queria saber de mudanças. Isso dava muito trabalho e a preguiça reinava como fator agravante de sua situação. E assim passava seus dias, pensando no que poderia estar acontecendo, no que podia revitalizar sua vida… apenas pensando.
As coisas continuavam mornas e sem importância. Por mais que tentasse ver cor em algum lugar, tudo era apenas cinza… apenas cinza. Um vazio imenso de cores…
Imóvel diante de sua vida, continuava. Levando-a e não vivendo-a. Não se importava mais com nada e com ninguém. Nem mesmo com sua liberdade. No fundo, não sabia mais o que queria.
Nada restava dentro de si, além daquele vazio. Não tinha vontade para nada, nem mesmo para chorar o que consumia-lhe por dentro. Fraqueza. Sentia uma enorme fraqueza consumir sua alma e sua mente. Estava só.
Sucumbiu ao medo e ao desespero. Imóvel, simplesmente não reagiu. E sua vida passou, com todos os dias sendo os mesmos, sendo sempre a mesma pessoa monótona de sempre… e se lhe perguntassem, não saberia responder por quê.
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Há três formas de se ler:
1) O texto inteiro, para ler sobre Tristeza
2) Comece no 1o. parágrafo e pule sempre um, para ler sobre Solidão
3) Comece no 2o. parágrafo e pule sempre um, para ler sobre Covardia
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